Como cuidar da saúde no outono e inverno?

Doenças do aparelho respiratório ocorrem com mais frequência entre os meses de maio a agosto

Por Katherine Rivas/ Foto: Fotolia

As doenças respiratórias são a principal causa de internações no Brasil. A pneumonia, por exemplo, lidera o ranking na rede pública de saúde. A asma, por sua vez, integra uma estatística espantosa: três pessoas perdem a vida por dia no País em decorrência da doença. A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), outra enfermidade, é a quinta causa de mortes em território nacional. Os números crescem, principalmente, nos períodos do outono e inverno. É o que explica o pneumologista Mauro Gomes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Segundo ele, ciclos infecciosos e alérgicos, que são favorecidos pelo tempo seco e pela dispersão de poluentes que impactam na qualidade do ar, são muito comuns nessas estações do ano. É quando aumentam as ocorrências de problemas como gripe, amigdalite, otites, sinusite, além do agravamento das doenças como DPOC, pneumonia e asma.

Fausto Nakandakari, otorrinolaringologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, explica que, nesse período, as pessoas mantêm janelas fechadas, aumentando as chances de transmissão dos vírus. Além disso, reduzem hábitos higiênicos, como lavar as mãos.

Nas regiões Sul e Sudeste, a diminuição das chuvas e o período de estiagem contribuem para o aumento da poluição, prejudicando os portadores de asma e rinite. Segundo Nakandakari, todas as doenças respiratórias geram complicações graves. “A gripe traz problemas respiratórios, falta de ar. O aumento de secreção produz sinusite e, quando a secreção chega ao ouvido, pode gerar otites”, explica.

A situação piora para quem já sofre de doenças respiratórias alérgicas. O grupo de risco é formado por crianças, idosos, pacientes diabéticos e portadores de doenças autoimunes.

Os médicos recomendam atenção aos sinais como falta de ar, febre alta, catarro, dor de cabeça e mal-estar. Se os sintomas permanecerem por mais de três ou quatro dias é necessário procurar atendimento.

Os profissionais de saúde reforçam a importância das campanhas de vacinação para a prevenção dessas enfermidades e chamam a atenção para uma atitude muito comum: a automedicação.

Para Mauro Gomes, isso pode adiar o atendimento médico e agravar a doença. Nakandakari, por sua vez, reforça que o consumo de medicamentos sem prescrição médica pode gerar uma resistência aos antibióticos, criando superbactérias incombatíveis. “Não é adequado, mesmo quando sobrou antibiótico de um tratamento anterior. O ideal é se desfazer das cartelas”, conclui.

Previna-se

* Mantenha os ambientes bem arejados, para evitar a concentração de vírus;

* Lave as mãos sempre com sabão e álcool em gel;

* Vacine-se contra gripe e pneumonia;

* Não compartilhe talheres e copos;

* Se estiver doente, evite contato com crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida;

* Mantenha sempre a sua casa limpa, evitando o acúmulo de mofo;

* Lave sempre edredons, roupas e casacos de inverno;

* Não deixe a poeira se acumular nas roupas e nos armários;

* Caso tenha ar condicionado em casa, limpe o filtro com frequência, para evitar o acúmulo de poeira.

Fontes: Mauro Gomes (pneumologista) e Fausto Nakandakario (otorrinolaringologista)

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