O dilema da aceitação e a rejeição no Brasil

Migrar é um direito das pessoas aos olhos da sociedade brasileira?

Por Por Katherine Rivas/ Fotos: Reuters

edro, de 57 anos, chegou no Brasil há dois meses. Ele veio da Venezuela, da cidade de Anaco, para Roraima e está à procura de emprego. Pedro, que tem receio de dizer o sobrenome, lamenta a situação de seu país. “Lá não tem comida, as casas estão se deteriorando, não tem nem gasolina para os carros e eu preciso ajudar a minha família”, desabafa.

Pedro é grato aos brasileiros que o acolheram, mas revela sua tristeza com algumas pessoas que enxergam a migração de forma errada. “As pessoas são um pouco resistentes a dar emprego para nós, ficam desconfiadas, nos julgam pela aparência física, mas não olham nossos corações.”

Para Gustavo da Frota Simões, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima, a sociedade roraimense está dividida em uma parcela de pessoas que auxilia os refugiados, mas também uma parcela hostil e cada vez mais livre para expressar seu ódio em público. “Ataques a imigrantes em Boa Vista ou Mucajaí, onde abrigos venezuelanos foram invadidos e queimaram os poucos pertences deles, mostram um forte preconceito”, diz. Para Simões, a xenofobia está presente no Brasil e faz cair por terra a imagem de que somos hospitaleiros. “O Brasil já provou em vários fluxos migratórios seu preconceito racial, com a rejeição de cubanos, haitianos e hoje dos venezuelanos”, acrescenta.

Camila Asano, coordenadora da ONG de direitos humanos Conectas, afirma que a origem da xenofobia no Brasil está no desconhecimento e no uso de argumentos sem fundamento das pessoas, tais como afirmar que migrantes e refugiados não pagam impostos ou que eles prejudicam a economia do Brasil, inverdades que surgem porque o Poder Público não dá as respostas necessárias. No caso dos venezuelanos, a xenofobia surge ao ver que essas pessoas estão morando nas ruas.

O Brasil é por tradição um país formado por migrantes, mas para Simões essas atitudes não são de hoje. Migrantes dos anos 30 ou 40 também passaram por situações de preconceito.

Interiorização

Neste mês, terá início o processo de interiorização dos refugiados venezuelanos para outros Estados, uma oportunidade para que as pessoas não cometam os mesmos erros dos antigos fluxos migratórios. Simões destaca que a ação é urgente e necessária. “São Paulo receberá até 1.500 pessoas, o que é nada se compararmos aos 20 milhões de cidadãos, mas, mesmo assim, vemos ataques nas redes sociais, pessoas questionando se eles vão passar por uma triagem criminal.”

A reportagem da Folha Universal conversou com refugiados de antigos fluxos migratórios: Haiti, Congo e Síria. As demandas deles foram comuns: dificuldade de validação do diploma, emprego, moradia e em alguns casos preconceito racial.

Fedo Bacourt (foto abaixo), imigrante haitiano que está no Brasil há cinco anos, afirma que o desafio é lidar com o duplo preconceito: ser estrangeiro e negro. Ele não conseguiu validar o diploma e já teve dificuldade de achar emprego como professor. As pessoas acreditam que ele só possa ocupar vagas de ajudante de serviços básicos sem questioná-lo quanto à sua formação acadêmica.

O congolês Omana Petench reivindica o direito de acompanhamento ao refugiado recém-chegado. “Precisamos que o governo brasileiro arrume um espaço para os refugiados que não têm visto nem moradia e seja intermediário entre pessoas que estão realmente interessadas em dar emprego.” A adaptação dele no Brasil foi complicada, Omana não falava português, não tinha onde morar nem o que comer, mas logo que recebeu o protocolo de entrada foi procurar emprego. Durante 13 dias ele chegou a dormir na Praça da Sé e teve que aprender a lidar com a desconfiança das pessoas.

Inserção social

Mesmo com as questões negativas, há muitas vozes solidárias tentando ajudar migrantes e refugiados. A Universal faz parte desse time com iniciativas de inserção social. Uma equipe de Bispos e Pastores está apoiando os venezuelanos em Roraima como confirma Pedro, que encontrou em Deus e na Universal um refúgio. “Eles me mostram que estão preocupados conosco e somos gratos por isso”, diz.

Para o Pastor Walber Barboza, responsável pelo trabalho com hispanos, é preciso entender que imigrantes são pessoas com história, família e que precisam de ajuda. “Deus manda acolher o estrangeiro, somos sensatos à Palavra dEle. Muitas vezes o povo de Israel foi peregrino e exiliado”, lembra o Pastor. O trabalho com hispanos ocorre há 10 anos e atende em média 500 pessoas por dia. A sede central fica no bairro do Brás, em São Paulo, mas há atividades também no Bom Retiro, Casa Verde, Vila Maria, no Centro e no Estado de Roraima.

A Universal conta também com um trabalho de ajuda para refugiados haitianos, no bairro Glicério. Além de atenção espiritual e acolhimento social, são realizadas atividades para facilitar a profissionalização e a confecção da documentação deles. A boliviana Jhenny Calle (foto à esq.) é prova de que a Universal também luta por esse povo. Há oito anos no Brasil, ela já passou por diversas dificuldades de adaptação. Entre elas adversas condições de moradia, emprego e com o idioma. “Fui muitas vezes discriminada nos lugares públicos e me sentia um peixe fora da água.”

Na Universal, Jhenny recebeu ajuda espiritual e moral para entender que, mesmo sendo estrangeira, poderia ser uma vencedora no Brasil. “É preciso buscar o caminho de Deus para vencer as dificuldades pela qual passamos. Apesar do preconceito, aqui também tive oportunidades maravilhosas, de pessoas que me abriram as portas.”

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