Vício pode começar na infância

Pesquisa revela que crianças entre 5 anos e 11 anos já têm contato com as drogas. O que fazer para protegê-las e tirá-las desse caminho?



Por Por Ana Carolina Cury / Fotos: Fotolia

Oito anos. Foi com essa idade que Matheus Barbosa Souza (foto ao lado), hoje com 19 anos, teve uma atitude que mudaria o curso de sua vida. No quintal da casa da família, ele experimentou cerveja com o pai. O gosto amargo em sua boca fez com que ele não quisesse repetir o gole, mas não demorou muito para que o álcool virasse um prazer e ao mesmo tempo um pesadelo em sua vida.

Aos 13 anos, influenciado pelos colegas, começou a beber regularmente. “Eu sentia um vazio e, para me sentir incluído no grupo, bebia com eles. Tempos depois experimentei maconha e lança-perfume. Na minha cabeça nunca ficaria viciado. Engano meu”, lamenta o rapaz.

Matheus se tornou mais um número nas estatísticas. Segundo uma pesquisa do Centro de Referência de Álcool e Drogas de Minas Gerais, o primeiro contato com as drogas entre os usuários adultos com faixa etária de 24 a 39 anos ocorreu entre os 5 e os 11 anos para 18% dos dependentes entrevistados.

Motivação para o vício

Para o fundador e coordenador do programa Tratamento para a Cura dos Vícios, bispo Rogério Formigoni, a infância é um período crucial para uma possível dependência. “Assim como essa criança experimentou leite por curiosidade e outras coisas, ela também pode experimentar a droga, mesmo tendo esse nome. E quem a oferece é, normalmente, outra criança um pouco maior. O discurso geralmente é o mesmo: ‘é só para provar, sentir a sensação que dá, isso não vicia’”, conta.

Matheus continuou usando as substâncias e aos 14 anos já estava dependente de bebida, maconha e lança-perfume. “Não conseguia passar um dia sem beber ou me drogar. Nessa época, muitos momentos me marcaram: cheguei a ponto de deixar de comer e de cortar o cabelo para sustentar o vício. Só que, infelizmente, não reconhecia nem admitia que tinha me tornado um viciado”, revela.

A família, percebendo a mudança de comportamento do rapaz, tentou ajudar, mas ele não queria auxílio. “Minha mãe implorava de joelhos para eu abandonar aquela vida, mas eu não dava a mínima para o que ela dizia. Além dela, meus pai e irmãs tentaram me ajudar de várias maneiras, conversando, me tratando bem, indo atrás de mim e nada disso adiantava. Meu relacionamento com minha família era totalmente ruim, passei a ser uma vergonha para eles”, detalha.

Como utilizar a ferramenta certa

Ele se lembra que uma vez agrediu os familiares quando estava em abstinência. E, sem dinheiro, Matheus passou a roubar. “Primeiro entrei para o tráfico, depois comecei a roubar. Fui preso duas vezes. Em uma delas os policiais invadiram minha casa. Minha vida foi assim até os 19 anos”, acrescenta.

O bispo Formigoni diz que muitas pessoas se enganam ao achar que o viciado é apenas aquele que teve uma família desestruturada na infância. “A sociedade tem uma tese que se o adolescente não teve família é mais fácil que ele se envolva com as drogas, mas isso não é a realidade. Muitos usuários que eu atendo tiveram família, pai e mãe presentes e, no entanto, mesmo assim, foram para o mundo dos vícios. Vale ressaltar também que, antigamente, o jovem começava com maconha ou cola, hoje eles começam em sua maioria com crack, que é a droga mais barata que tem”, diz o bispo.

Ele explica que o papel das pessoas próximas no auxílio ao dependente é importante, mas é preciso saber usar a ferramenta certa. “Quando a família descobre, normalmente o jovem já está viciado há um tempo. Nesse momento da nossa entrevista, por exemplo, há muitos pais que ainda não sabem que seus filhos estão tendo problemas com drogas. Então, a melhor maneira de prevenir não é com conselho. Se o vício é um espírito – e é um espírito – só tem um jeito do filho não ser atingido por esse espírito: ele tem que ter o Espírito de Deus dentro dele, na vida dele, para que esse espírito do vício não o acompanhe”, aconselha.

Mas como fazer com que os jovens tenham essa proteção espiritual? O bispo diz que só há um caminho: “se os pais tiverem essa consciência (de que o vício é um espírito) e buscarem em Deus a proteção e o Espírito dEle, ainda que alguém ofereça drogas, o filho não vai usar, não vai entrar para esse mundo. E, ainda que ele experimente, não vai sentir o que o viciado sente e não dará continuidade ao uso. Essa é a melhor prevenção. Além disso, se há alguém viciado na família, o pai, a mãe ou alguém da família pode vir ao Tratamento para a Cura dos Vício mesmo sem o dependente porque com um familiar lutando ele será curado”, observa.

Recomeço

Endividado por conta do vício, o jovem Matheus passou a refletir a respeito de suas escolhas. A mãe dele não desistiu de lutar pelo filho e por meio da fé obteve a vitória nessa guerra espiritual. Em 2017, o rapaz deu o passo que transformou sua história. “Estava me sentindo sozinho e quis mudar. Aceitei ir à palestra e tudo o que eu vi e o que foi falado mexeu comigo. Entendi que agia daquela forma por conta de um espírito e passei a lutar contra isso”, conta.

Ele entregou sua vida no Altar e, desde então, afirma com todas as letras: “não tenho mais vontade de beber nem de usar drogas. Mudei meu comportamento, não tenho mais nenhuma crise de abstinência ou ataques de nervosismo. Hoje me considero uma pessoa curada”, finaliza.

Assim como Matheus, muitos jovens têm encontrado a força de que precisam para vencer os vícios no Tratamento para a Cura dos Vícios. “Todo leitor da Folha Universal conhece alguém que sofre com o vício ou tem alguém na família que é dependente. Quando eu descubro um bom restaurante, uma boa comida, sempre indico a alguém. Agora que você tomou conhecimento de que vício tem cura não custa levar essa mensagem a outras pessoas. Ligue para alguém que sofre com o vício e informe para que ela entre no site viciotemcura.com ou no canal oficial do YouTube (Vício tem Cura Oficial). Assim, essa pessoa vai entender que há saída e solução”, completa o bispo Formigoni.

As palestras do Tratamento para a Cura dos Vícios acontecem aos domingos, às 15h e às 18h, na Avenida João Dias, 1.800, em Santo Amaro, e também em outras localidades do País. Para saber mais acesse o site viciotemcura.com.

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