Erros hospitalares são a segunda causa de morte no Brasil

De acordo com estudo, óbitos por falhas em atendimento médico ficam atrás apenas de problemas do coração



Por Por Janaina Medeiros / Fotos: Fotolia

Atualmente, erros na área da saúde têm sido muito comuns no País. Conforme um levantamento divulgado em novembro pelo Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar do Brasil, em 2016, 829 brasileiros morreram por dia em instituições públicas e privadas – o que corresponde a quase três óbitos a cada cinco minutos. Ao todo, foram 302.610 mortes, sendo que 60% delas poderiam ter sido evitadas.

A pesquisa, produzida pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revelou que esses óbitos aconteceram por falhas banais, como erros de medicamento ou de dosagem, uso incorreto de equipamentos e infecção hospitalar.

Esse fato é tão alarmante que se tornou a segunda causa de morte no País, ficando atrás apenas dos problemas cardiovasculares e à frente de acidentes de trânsito (que matam 129 pessoas diariamente) e do câncer (que registra cerca de 500 mortes por dia).

Mas não são apenas os números de óbitos que assustam. Ao longo de 2016, cerca de 1,4 milhão de pacientes ficaram com alguma sequela por causa de falhas médicas, como lesões decorrentes de quedas, infecções de cirurgia, trombose venosa e embolia pulmonar. Em razão desses problemas, os gastos adicionais na saúde, em 2016, chegaram a quase R$ 11 bilhões.

Saúde como prioridade

O número de instituições médicas que buscam a segurança no atendimento está crescendo no Brasil. Isso porque em 2015 o número de mortes decorrentes de falhas hospitalares foi maior do que em 2016. Naquele ano, até 434 mil brasileiros podem ter morrido por erros desse tipo.

Contudo, a adoção de práticas mais seguras dentro dos centros médicos ainda precisa ser prioridade no País. Os motivos desses “eventos adversos” estão ligados a um conjunto de falhas no sistema de saúde, como a má organização do trabalho. Muitos hospitais acumulam superlotação, falta de insumos e informações desatualizadas.

A falta de transparência nos hospitais também é prejudicial. No Brasil, as instituições médicas não são obrigadas a divulgar indicadores de qualidade, como tempo de internação ou número de mortes. Dessa forma, os pacientes não têm como avaliar o hospital antes de buscar o atendimento.

Para o professor da Faculdade de Medicina Renato Couto, um dos responsáveis pelo estudo, é preciso haver mudanças nos serviços hospitalares. “As organizações que prestam serviços devem se qualificar. As equipes multidisciplinares precisam ser capacitadas em novos métodos de assistência e segurança. Essa é uma história que só tem vítimas. Os pacientes e suas famílias certamente são as maiores vítimas, mas há sofrimento de toda a equipe de saúde com perdas econômicas para todo o sistema”, alega.

Locais de assistência devem oferecer um atendimento marcado pela dedicação e atenção. Os pacientes também devem questionar quanto à forma como serão assistidos. Caso haja algum problema, é possível denunciar a instituição ou o profissional para que ocorra reparação dos direitos e para que se evitem falhas hospitalares no País.

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