“Débora faz escolhas infelizes e paga caro por elas”

Em entrevista exclusiva, a atriz Manuela do Monte conta detalhes de sua personagem em Apocalipse e dá pistas sobre o que está por vir na novela da Record TV



Por Por Rê Campbell / Fotos: Munir Chatack

Na história do fim dos tempos contada na novela Apocalipse, o anticristo é fruto do relacionamento conturbado entre uma israelense e um italiano. A mãe do maior vilão da trama da Record TV atende pelo nome de Débora Koheg (Manuela do Monte/Bia Seidl), uma mulher que deseja se libertar da religiosidade imposta pela família. Já o pai é Adriano Montana (Felipe Cunha/Eduardo Lago), um homem rico e mulherengo.

Os dois se conhecem em uma universidade de Nova York durante a juventude. Enquanto Débora se apaixona, Adriano encara o relacionamento como outro qualquer. A vida deles muda com a descoberta da gravidez. De volta a Jerusalém para as férias, Débora é expulsa de casa pelos pais. Mas a decepção maior ocorre quando ela vai a Roma e acaba rechaçada por Adriano, que não deseja um envolvimento sério.

Apesar do conflito, os dois se casam e o matrimônio é marcado pela frieza e pela falsidade. Esse início da trama ajuda a explicar as escolhas que Débora e Adriano vão fazer ao longo da novela, defende a atriz Manuela do Monte (foto acima), intérprete de Débora na primeira fase da produção.

Em entrevista exclusiva à Folha Universal, a atriz destaca a experiência de atuar em uma novela baseada na Bíblia. “A Bíblia tem muitas histórias interessantes e é uma literatura rica em personagens e enredos. O Apocalipse é uma das que mais trazem conflitos e se afina com a realidade. Estou muito feliz em fazer parte deste projeto”, afirma. “Será uma novela muito linda e instigante. Ficaremos todos vidrados”, garante Manuela. Apocalipse vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 20h45, na Record TV. Confira a seguir trechos da entrevista.

Folha Universal (FU): Como é fazer a personagem que dá à luz ao anticristo Ricardo Montana (Luiz Eduardo Toledo/Sergio Marone)?

Manuela do Monte (MM): É uma responsabilidade muito grande. Débora, em seu romance com Adriano, compõe o berço da novela e é a partir da sua desventura que todo o resto se desenrola. Nesta primeira fase, é preciso deixar claro ao público toda carga emocional a que Débora foi submetida nessa trajetória de sair de casa, apaixonar-se, descobrir-se grávida, ser expulsa de casa, descobrir que o amor que vivia era uma mentira e, de repente, encontrar-se sozinha e desamparada. Dessas circunstâncias nascem os desvios de caráter que ela vai apresentar.

FU: Débora também é uma vilã?

MM: Adoro essa pergunta. A Débora é uma vítima da sua busca por algo que acreditasse e a fizesse feliz. Não pertencia à cultura e à religião que sua família lhe impunha, queria ser livre das imposições de sua tradição ortodoxa. Não vejo vilania nisso, vejo sonho, vida, necessidade de descobrir-se. Débora sai do ninho para inventar uma vida que a preenchesse, faz escolhas infelizes nesse processo e paga caro por elas. Nesta primeira fase, acredito que apenas nasça a possibilidade de um desejo de vingança ao qual ela poderia ou não dar vazão. É apontada a possibilidade da vilania, mas, por enquanto, vejo-a como uma adolescente reagindo às situações completamente adversas em que acaba entrando.

FU: Como avalia o casamento de Débora e Adriano?

MM: Esse casamento é o grande drama, ele precisa acontecer para que a novela siga seu curso. Nele, Débora entra cada vez mais em contato com o desprezo de Adriano e reage a ele fortalecendo-se como vilã. É nesse contexto que todas as emoções são postas à prova.

FU: Como foi gravar a cena em que Débora se desespera ao descobrir que está grávida?

MM: Nessa cena, Débora vive uma possessão. Recebi as referências da direção e busquei inspiração em vídeos e filmes. Não foi fácil dar conta desse momento dela. Também tive apoio de um bailarino e coreógrafo, ou seja, apoiei-me na técnica, imaginação e em muita entrega para viver esse momento.

FU: Como se preparou para viver essa personagem?

MM: A preparação para viver Débora foi intensa. Tentei abordá-la por diferentes caminhos. Por meio de uma busca corporal, sobretudo para os momentos da possessão e do parto. Também resgatei memórias da infância para explorar o universo de uma crueldade inocente, porque acredito que esse sentimento permeia a Débora nessa primeira fase, uma vez que ela sente necessidade de burlar as regras para ser livre sem o desejo da maldade. Além disso, convivi com a Débora no meu imaginário desde que recebi os capítulos e os li. Fiz muitos exercícios de improvisação para me apropriar de situações pelas quais ela passaria. Vesti roupas que ela usaria e ouvi músicas que me inspiraram a ter a energia dela.

FU: Como foi gravar as cenas em Roma?

MM: Foi minha primeira vez gravando fora do País. Apesar da correria, trabalhamos de forma colaborativa com todo cuidado e parceria. Foi lindo participar desse momento nessa produção, foi emocionante gravar em lugares tão belos e tão cheios de história. Inesquecível. A cena que mais curti fazer foi em Roma, de madrugada, na Fontana Di Trevi, momento único. Além da locação mais linda em que já estive, foi uma parceria maravilhosa com Felipe Cunha. Tenho muita gratidão por momentos como estes.

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