Quer apagar uma lembrança ruim?

Não é fácil esquecer o passado, mas é possível superar o sofrimento provocado por memórias dolorosas e seguir em frente. Saiba como



Por Por Rê Campbell / Fotos: Fotolia / Arte: Edi Edson

Quem nunca desejou esquecer uma situação traumática ou uma perda? Ao longo da vida, todo ser humano se depara com frustrações, dificuldades de relacionamento e desavenças difíceis de tirar da memória. O fim de um relacionamento, a perda de um emprego, a traição de um amigo e casos de acidentes e violência podem se transformar em dores difíceis de suportar. Algumas pessoas tentam apagar as lembranças ruins recorrendo a uma escolha perigosa: o álcool. Mas um estudo norte-americano publicado no início do ano na revista Translational Psychiatry mostra que não adianta beber para esquecer. Pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, de Baltimore, concluíram que as bebidas alcoólicas reforçam lembranças ruins relacionadas ao transtorno de estresse pós-traumático. Experimentos feitos em ratos demonstraram que o álcool fortalece as memórias associadas a experiências temerárias.

Ou seja, embora alguns busquem o álcool como uma fuga, ele pode contribuir para fixar experiências negativas na memória. Também não adianta tentar esquecer um problema recorrendo às drogas, às compras ou mesmo ao consumo excessivo de comida. Essas escolhas funcionam apenas como disfarces passageiros. É como se a pessoa jogasse a sujeira para debaixo do tapete: no início, funciona, mas, com o passar do tempo, o problema volta ainda maior.

Dá para esquecer?

A psicóloga clínica Sirlene Ferreira diz que não dá para simplesmente apagar as lembranças dolorosas, mas é possível superar o sofrimento. “A pessoa pode superar a dor reelaborando os fatos e reconfigurando o olhar para a dor que ela teve no passado. Com a reelaboração, ela consegue falar daquele acontecimento traumático sem mágoa ou desespero”, explica.

Entretanto, para transformar um sentimento ruim, uma atitude fundamental é necessária: decisão. “É preciso querer mudar para poder mudar, do contrário entramos na zona de conforto.”

A psicóloga clínica Katia Horpaczky concorda. “O melhor caminho é o enfrentamento, é encarar a situação, buscar as melhores opções e pedir ajuda.”

Perdão

Outro fator que contribui para a superação de memórias dolorosas é o perdão. Assim, em vez de cultivar mágoas de uma situação prejudicial, Sirlene indica que perdoar o erro ajuda a liberar o peso do passado. “Quando você tem raiva de uma pessoa, ela passa a ser prioridade na sua vida, você pensa o tempo todo nela e ela se torna mais presente em sua vida do que deveria. O ato de perdoar alivia e ajuda a dissolver a amargura”, destaca.

Já a psicanalista e mestre em Psicologia Rita Martins pondera que perdoar o outro pode não ser libertador se a atitude partir de uma imposição social. Por outro lado, ela destaca que perdoar a si mesmo é sempre benéfico: “a culpa é a pior conselheira nessas horas”, garante.

Em relação às pessoas que cometeram erros e carregam culpa, Sirlene diz que pedir perdão ao outro pode ajudar. “Se a pessoa cometeu algo de que se arrepende, ela pode pedir perdão, mas deve estar preparada para ser rechaçada. Isso requer humildade e sinceridade”, avalia.

Falar para superar

Para superar um evento traumático é preciso colocar as angústias para fora. Assim, conversar sobre o problema é o primeiro passo. “Falar sobre o que nos afeta reduz os sintomas. O amparo por parte de amigos, colegas de trabalho, familiares e até espiritual é fundamental, bem como o processo terapêutico.”

Katia reforça a importância do diálogo. “Falar ajuda na elaboração do que aconteceu. Faz parte do processo de superação. Se a situação for muito difícil, o processo terapêutico auxilia a pessoa a voltar ao seu eixo, a ter uma compreensão melhor do ocorrido e a perdoar a si mesmo e ao outro”, conclui.

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