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Um novo DNA para a educação

Educadores enfrentam o desafio digital em sala de aula. Eles devem deixar de ser o transmissor para ser o organizador de conteúdo

O ano de 2012 data a formatura do primeiro grupo de alunos depois do advento da internet comercial no Brasil, em 1995. Após esses 17 anos, foi realizado em São Paulo, o congresso “InovaEduca3.0”, dirigido aos profissionais da educação, que debateu a importância das novas tecnologias em sala de aula, a reinvenção do professor e a relação com o aluno.

Uma pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos mostrou que a preferência por ensino domiciliar dobrou entre as famílias norte-americanas, porque os pais não confiam mais na educação em sala de aula. Diante desse estudo, surge a questão: Será que os alunos ainda precisam de professores, se eles já aprendem sozinhos na internet?

A mudança está no professor

Para Jim Lengel, da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos (EUA), o professor é o centro da gestão. Ele tem que trazer o conhecimento, mas também ajudar a desenvolver o senso crítico e a organização de ideias do aluno.

“O professor precisa entender quais são as habilidades e os conhecimentos que o cidadão de hoje precisa aprender. Ele deve garantir material bom e sólido para executar trabalhos educacionais. Não podemos deixar os alunos aprenderem sozinhos e ‘alimentarem-se’ de conteúdo fast-food”, declara.

O professor Lengel, que também é consultor para organizações sobre a aplicação de novas tecnologias ao ensino e aprendizagem, afirma que a escola deve utilizar ferramentas que o mercado de trabalho já use. Para ele, a rotina do estudante deve ser muito parecida com a que se exige de um profissional. Estar conectado, recebendo e emitindo informação, antenado ao uso e recursos tecnológicos, além de saber lidar com a multidisciplinaridade de tarefas.

Ensinar como aprender

Segundo John Moravec, professor da Universidade de Minnesota (EUA) e cofundador do Fórum Horizon, numa mesa redonda sobre o futuro da educação, o importante não é apenas o que se sabe, mas o que se pode fazer com o conhecimento numa rede maior que não envolve somente a sala de aula.

“Hoje, a escola já é um lugar onde as comunidades podem se reinventar. O papel dos professores é ensinar como aprender, em vez do que aprender. A tecnologia usada com inteligência é uma rica ferramenta de trabalho”, aponta.

Compartilhar aquilo que se aprende é muito natural. Todos podem ser professores desde que auxiliem o aprendizado. O educador deixa de ser apenas o transmissor para ser o organizador e selecionador de conteúdo.

Dispositivo digital em sala de aula

Romero Tori, doutor e livre docente em tecnologias interativas pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Escola Politécnica, acredita que “se as escolas não levarem a tecnologia para a sala de aula, serão os próprios alunos que o farão”.

Para ele, proibir o acesso às redes sociais ou ao celular, por exemplo, acaba sendo uma forma de descolar a escola da realidade, pois a nova geração procura mídias interativas, já está aprendendo a ler no dispositivo digital, e motiva-se com conteúdos mais dinâmicos.

A vantagem de um livro digital, por exemplo, é que ele disponibiliza atualização de conteúdo muito mais rápida, fora a redução de custos com impressão, que podem ser redirecionados para o subsídio de tablets para os alunos e de infraestrutura (wi-fi) para a escola, além de capacitação dos docentes e desenvolvimento de novos conteúdos para essas mídias.

Segundo Tori, estudos no exterior mostram que nos próximos 2 ou 3 anos a tecnologia móvel vai permear a educação formal. “O Brasil está cada vez mais próximo do que acontece lá fora. Creio que daqui a 5 anos vai ser normal trabalhar conteúdos educacionais baseados em dispositivos móveis. Podemos prever que na próxima década vamos ultrapassar essa barreira”, conclui.

Jogos digitais e um novo DNA

Colaborador de uma experiência chamada Olimpíada de Jogos Digitais e Educação (OJE), da Universidade de Recife, em parceria com empresas do Parque Tecnológico local, o professor Luciano Meira falou sobre um novo DNA da escola: D (diversão, diálogo e desafio), N (narrativa) e A (aventura).

“A escola deve realizar mais atividades divertidas para o contexto das práticas cotidianas, que normalmente são muito desinteressantes para crianças e jovens. A forma de conversação também tem que ser modificada, e tornar-se dialógica. A educação tem que desafiar os alunos e os próprios professores com problemas de verdade, e não exercícios procedimentais”, afirma Meira.

Meira ainda explica que os conteúdos dos livros didáticos, que muitas vezes encontramos em formato de listas, deveriam ser apresentados em forma de narrativa, afinal, são as boas histórias que as pessoas contam depois. E que toda essa articulação provoca uma aventura educacional e cria um ambiente de aprendizagem, onde ensinar e aprender tornam-se verbos recíprocos.

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