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Itaquerão recebe ato para prevenção de acidente de trabalho

Evento reúne operários da construção civil que trabalham na obra do estádio de abertura da Copa 2014

A obra do futuro estádio do Corinthians, o “Itaquerão” que sediará a abertura da Copa 2014, em São Paulo, conta com cerca de 2 mil operários. Esse número quase se aproxima do índice de mortes no ano de 2010, na construção civil, no Brasil, segundo dados do Anuário Estatístico da Previdência Social.

Mundialmente, esses trabalhadores têm três vezes mais chances de sofrer acidentes fatais e duas vezes mais de sofrer ferimentos que os de outras áreas. No País, em 2001 foram cerca de 340 mil acidentes de trabalho e, em 2010, o número chegou a mais de 700 mil, sendo 2.700 óbitos, uma média acima de 7 mortes por dia.

Itaquerão recebe trabalho de prevenção

Na última semana, o “Itaquerão” foi palco para o Ato Público pelo Trabalho Seguro na Construção Civil, evento integrante do Programa Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que desde maio de 2011 vem desenvolvendo ações para reverter o cenário alarmante de número de acidentes nos últimos anos.

O objetivo foi reunir os operários de uma das atuais e maiores obras de infraestrutura do País para alertar sobre a importância da prevenção de acidentes e do uso obrigatório dos equipamentos de segurança. Os operários receberam cartilhas e assistiram aos vídeos sobre o tema.

“Ações como a de hoje são bem-vindas, porque todo o conselho que ouvimos, nós repassamos aos colegas. Se acontecer de alguém estar distraído e esquecer-se de usar um equipamento, nós paramos para avisá-lo. Recebemos treinamento para isso e sempre estamos nos policiando, cuidando um do outro. Somos parceiros e irmãos, aqui ou em qualquer outra obra”, declara Juscelino da Conceição da Silva, de 33 anos, ajudante de armador há 8 anos.

Segurança é um trabalho de conscientização

O programa conta com a parceria de diversas instituições públicas e privadas, como a do Serviço Social da Indústria (Sesi) e a do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP). “O mais importante é que é um trabalho educacional. Porque não basta exigir o cumprimento da lei, tem que motivar o trabalhador ao cumprimento do seu dever funcional, seguro e sem acidentes”, afirma o presidente do TRT-SP, desembargador Nelson Nazar.

A proposta do programa também envolve trabalhar junto com representantes das construtoras responsáveis pelas obras para atuarem como verdadeiros embaixadores das medidas preventivas e de segurança no trabalho.

“Nós temos programas que focam no desenvolvimento e treinamento dos profissionais nos itens que causam os acidentes de maior gravidade. Nós sabemos que segurança é cultural, é a conscientização de tomar todos os cuidados e fazer os procedimentos corretos. Os operários também são muito participativos e colaboram no nosso dia a dia com soluções de campo”, conta Frederico Barbosa, gerente operacional da construtora Odebrecht.

Acidentes típicos

Este é o setor em que se registra o maior número absoluto de acidentes: em 2010, foram 54.664, dos quais 36.379 se enquadram como “acidentes típicos” – quedas em altura, uma das causas mais comum de lesões e morte, e acidentes em trabalhos de escavação e movimentação de cargas.

“Eu nunca sofri acidente de trabalho, mas já vi um de perto. Foi grave e um colega de trabalho morreu com um choque elétrico. Acidentes acontecem, mas a gente pode prevenir. A empresa fornece o equipamento necessário, é só ser cuidadoso e seguir as regras de segurança”, diz Josenilton Faria de Souza, de 38 anos, armador, que trabalha na construção civil desde 1996.

Após São Paulo, o mesmo evento também será realizado nas obras de construção e reforma de estádios em outras cidades sede da Copa do Mundo de 2014, como Belo Horizonte (junho/12), Salvador (julho/12), Recife e Fortaleza (agosto/12), Porto Alegre (setembro/12), e Foz do Iguaçu (novembro/12), Porto Velho e Altamira (2013).

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