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Um reality show em que será permitido matar

As regras de um programa russo, com previsão de estreia ainda neste ano, colocam em risco a vida dos participantes

O que você pensaria se soubesse da existência de um reality show com um número limitado de concorrentes, realizado em um local inóspito, no qual existe a possibilidade de roubar, mutilar e até matar seus rivais? Com certeza, acharia que se trata de mais um episódio da trilogia Hunger Games (ou Jogos Vorazes, em português), em que a heroína, representada pela atriz Jennifer Lawrence, combate seus adversários até a morte em um mundo pós-apocalíptico. Ou, para os que têm a memória mais apurada, um remake do filme The Running Man (1987), estrelado por Arnold Schwarzenegger, no qual o participante que matar os adversários e sobreviver será o vencedor do programa. 

Pura ficção, não é mesmo? Muitos diriam que sim. Mas a frase “a vida imita a arte” nunca fez tanto sentido nos últimos tempos.

A proposta de um novo reality show, com produção russa, chamou a atenção nas últimas semanas.

Intitulado Game2: O Inverno, o programa terá 30 competidores – 15 homens e 15 mulheres –, que disputarão um prêmio equivalente a R$ 5,4 milhões. Os participantes vão assinar um termo concordando com as regras e assumindo os riscos e a possibilidade de serem estuprados ou mortos.

As regras também garantem que a polícia é livre para prender qualquer pessoa que cometa algum crime durante o show. “Cada concorrente dá o consentimento de que pode ser mutilado e até mesmo morto. Duas mil câmeras, 900 hectares e 30 vidas. Tudo é permitido: combate, álcool, assassinato, estupro, tabagismo, qualquer coisa. Você deve entender que a polícia virá e o levará embora. Estamos no território da Rússia e sujeitos a obedecer às leis da Federação Russa”, diz o regulamento.

O local escolhido para as gravações do reality show fica na região de Novosibirsk, na Sibéria, onde as temperaturas podem variar de 35 graus no verão a 40 negativos no inverno. Segundo os responsáveis, todos os participantes receberão treinamento de sobrevivência em floresta, para enfrentar insetos e animais selvagens que existem na região, o que inclui ursos e lobos. O uso de armas está proibido, no entanto, será permitido utilizar facas.

O programa tem estreia prevista para julho deste ano e duração de nove meses. O responsável pela idealização e criação é o empresário e milionário russo Yevgeny Pyatkovsky. Ele afirma que “vai recusar qualquer reivindicação dos participantes, mesmo que eles sejam mortos ou estuprados.”

O simples anúncio das regras já causou furor ao ultrapassar os limites de todos os realities shows realizados em todo o mundo. O primeiro sinal disso é que, segundo o criador do programa, cinco países já demonstraram o desejo de transmiti-lo para o público e 60 pessoas já se candidataram para participar dele.

Depois dessa notícia, várias perguntas surgem: que mente doentia é capaz de criar e aceitar que um programa desses vá ao ar, ultrapassando os limites entre a realidade e a ficção em nome da audiência? Até que ponto vale participar de um programa como esse para virar uma celebridade? E, por fim, vale também questionar: será que programas assim são o reflexo dos tempos em que vivemos, em que há um desprezo total pela valorização da vida humana em função do lucro e do entretenimento? Fica a reflexão.

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